segunda-feira, 30 de junho de 2008

Recado

"Precisava de te dar um recado.

Por isso, escrevi-o num pedaço de papel com uma vulgar caneta Bic.

A mensagem, curta, mas sentida, dizia "Amo-te".

Dobrei o papel, coloquei-o no bolso, calcei os sapatos e fui à tua procura.
Queria ser eu a entregar-te este pequeno papel, olhar-te nos olhos e descobrir a tua reacção.

Procurei no teu local favorito, mas não estavas lá.


Perguntei aos teus amigos, mas nenhum me conseguiu responder.


Até que o vento me deu a resposta, arrancando-me o chapéu e levando-o para junto de ti. Corri atrás do chapéu e acabei por te encontrar.


Mas não estavas sozinho.
Nesse momento percebi que há muito que não estavas sozinho, e que a minha cegueira chamada amor não me tinha deixado ver isso.

Apertei o pequeno papel na minha mão.

Caminhei até à beira-rio.

Até o vento sentiu pena de mim e deixou de soprar.

Sentei-me à beira de água e rasguei o recado em mil pedaços.

Lancei-os ao ar e observei-os a cair na água.


A tinta da Bic dissolveu-se, o papel desfez-se.

Levantei-me.

Comecei a trilhar o caminho de volta a casa.


O meu coração estava leve.

E o vento tinha voltado a soprar"


(Não, isto nao é uma situação real, não é de nenhum filme, nem sequer é um desabafo do que sinto. É simplesmente o que a minha cabeça consegue fazer às 05:14 da manhã)

1 comentário:

Sou eu disse...

ta lindo catarina...

mt profundo mesmo

adorei