quinta-feira, 13 de abril de 2017

Off the grid, part I

Aparentemente os e-mails do Github são piores que as ervas daninhas, e não há filtro do gmail que os apanhe. Por isso tive de desactivar os alertas directamente no Github. Tirando isso, foi um bom dia.
Dormi até quase ao meio dia.
Almocei salada de tomate com abacate, atum e batata doce (I know, mas ficou bom).
Vi Morangos com açúcar (tenho andado a gravar os episódios na box).
Joguei Bioshock (recentemente terminei o Bioshock Infinite e quero ver se passo este também). Não demorei muito, o jogo é ligeiramente creepy. Joguei tetris.
Fui às compras.
Fiz lasanha.
Jantei lasanha.
Comi bolachas.
Comi um crepe com recheio de pastel de nata do pingo doce.
Ajudei o meu namorado a passar a ferro.
Joguei Just Dance.
Vi TV.

E tomei um duche relaxante antes de o meu namorado se ir deitar. Enchi-me de creme hidratante bem cheiroso. E agora estou na sala, à espera que o sono chegue. Amanhã vou para casa dos papás. Espero conseguir relaxar ainda mais. Hoje foi um bom dia.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Off the grid.

Filtro no meu gmail pessoal para arquivar automaticamente os e-mails do GitHub.

Notificações do e-mail do trabalho desactivadas.

Notificações do Slack desligadas.

Tirei dois dias de férias para aproveitar a sexta feira santa. O meu objectivo é tentar relaxar e não pensar em trabalho. E isso significa bloquear todo o tipo de notificações (é incrivelmente fácil passar um dia de férias só a ler as mensagens do Slack). É super estranho sentir-me off the grid, mas como para mim é extremamente complicado desligar do trabalho (porque a minha cabeça anda sempre a mil à hora), acho que esta é a melhor opção.

Vamos a ver. 

Uma coisa é certa, esta noite vai ser aproveitada para dormir o máximo de horas que conseguir.

Aint nobody got time fo that

Gosto imenso de ver fotografias de bullet journals e agendas personalidadas todas fofinhas e hipsters, mas não tenho a menor pachorra para me meter nessas coisas.

Normalmente meto simplesmente o que não me posso esquecer no google calendar (pagar a renda, pagar a internet, carregar o passe, etc e tal), e o resto organizo mentalmente (e faço to-do lists rápidas no primeiro papel que me aparecer à frente, caso necessário).

Sim, efectivamente a minha vida não é assim tão interessante para valer o esforço de fazer essas coisas bonitinhas ^^.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Drool

Na semana passada estive em Londres.

As lojas do Duty Free do aeroporto são as coisas mais apetitosas de sempre.

Reese's Peanut Butter cups de chocolate branco. O. M. G.

domingo, 26 de março de 2017

Who, what, when, where

Ando outra vez em crise existencial.

OK, pronto, na realidade continuo em crise existencial.

Não sei bem o que ando a fazer, sinto que me limito a sobreviver, a ver o tempo passar. Casa-trabalho, trabalho-casa.

Não me sinto minimamente inteligente. Não me sinto minimamente útil.

No trabalho vou fazendo o que tenho a fazer. Sinto-me sempre inferior e menos inteligente que toda a gente. Às vezes vou ouvindo conversas e penso "como raio é que esta gente sabe estas coisas? Como raio é que têm tempo e paciência para ler artigos ou ver vídeos e assimilar o que lá está?". Alguma coisa tenho feito bem, porque os prazos vão sendo cumpridos e as coisas funcionam. Mas não sei, continuo a sentir-me assim, inferior, ignorante, sem saber reagir, comunicar.

O facto de o sítio onde trabalho estar a passar por um momento menos bom não ajuda muito.

Depois venho para casa, onde há jantar para fazer, roupa para lavar, coisas para limpar. O meu namorado reclama porque sujo a cozinha quando estou a cozinhar (ainda estou para descobrir como cozinhar sem sujar, mas isso são pormenores). Tudo o que limpo é mal limpo, e qualquer sugestão que dê para economizar tempo/esforço é ignorado. E no fim sobram-me duas ou três horas para ficar no sofá a jogar os meus joguinhos e ouvir televisão enquando ele joga no computador, porque ele só vê séries completamente creepy e diz que as comédias são boring. 

Às vezes tenho imensa inveja do Gérald do Witcher. 

Por fim vou para a cama, onde luto com a minha dificuldade em adormecer e me preparo para mais um dia igual.

Não me interpretem mal, gosto muito do meu namorado e não estou de todo arrependida da decisão de morarmos juntos. Mas viver com outra pessoa implica haver atritos e discussões, e hoje sinto-me particularmente queixinhas.

Vou sobrevivendo no meio disto tudo, sem saber muito bem o que fazer. Sei que só depende de mim alterar esta rotina do sobreviver-não-viver, mas não sei o que fazer. Nem me sinto com energia para fazer o que quer que seja.

domingo, 22 de janeiro de 2017

There are bad times.

Há semanas más.

Há semanas em que durmo mal. Em que me sinto mais insegura que o costume no trabalho. Em que saio de casa a desejar que chegue rapidamente a hora de voltar.

Em que sinto que faço porcaria atrás de porcaria e me sinto uma porcaria.

Basicamente é isto. Nas últimas semanas tenho andado assim. Custa-me adormecer à noite e custa-me acordar de manhã. Passo o dia cansada. Sinto-me uma nódoa no trabalho. Sinto que não pertenço ali ou a lado nenhum. Sinto-me em baixo e só me apetece voltar aos tempos em que ainda não tinha emprego e podia passar o dia debaixo dos lençóis da cama a deprimir. Na última quinta feira tive de me refugiar na casa de banho para conseguir acalmar um bocado e não desatar a chorar.

Espero que seja só uma fase má, alimentada por hormonas e ansiedade. Mas neste momento só queria enroscar-me a deprimir debaixo dos cobertores e que segunda feira nunca chegasse.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Marketing Genius

Pergunto-me quem terá sido o grande génio que um dia pensou

"Hey, sabem o que era uma ideia mesmo genial? Mandarmos os voluntários das ONG para a porta das estações de metro mais movimentadas pedir donativos. Melhor que isso, mandá-los para lá ao fim do dia, porque é isso mesmo que as pessoas querem: chegar ao fim de um dia de trabalho cansativo, arrastarem-se para os transportes públicos e no caminho para casa ainda serem abordadas por malta a pedir dinheiro. Genial! Porque é que não me lembrei disto antes?"

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Introspection

Não sei se é desta altura do ano. Não sei se é de ter tirado férias e ter ficado com mais tempo para pensar. Não sei se é simplesmente da minha natureza introspectiva.

Mas tenho andado a pensar ainda mais na minha vida. 

Penso nas saudades que tenho de ser estudante universitária. Ok, pronto, na realidade só tenho saudades de simplesmente me poder baldar para ficar a dormir, de ter o verão inteirinho de férias. Não tenho saudades nenhumas do stress dos exames, dos projectos, daquelas cadeiras horrorosas que tive de gramar e da tese. Ainda assim, cada manhã que o despertador toca depois de uma noite mal dormida, penso que gostava mesmo de ainda ser estudante, e simplesmente desligar o despertador e dormir até à uma da tarde.

Penso que gosto de trabalhar. Gosto da rotina. Gosto do que faço, apesar do stress que me causa. Gosto de ir ver o saldo da conta bancária e ver que o ordenado já entrou. Não gosto do stress. Não gosto de me estar sempre a sentir inferior a toda a gente (damn you brain). Não gosto de ter dores de cabeça praticamente todos os dias por passar oito horas a olhar para um ecrã (tenho que ir ao oftamologista). 

Penso no futuro com pessimismo. Qual vai ser o meu percurso profissional. Será que alguma vez vou ser boa no que faço. Será que vou conseguir arranjar uma casa para alugar na mesma zona, mas melhor que esta. Será que um dia vou comprar uma casa. Será que um dia vou querer constituir família. O que vai ser dos meus pais. Tenho vinte e quatro e estou com os pés para a cova.

Penso que estou a ser parva. Que me estou a preocupar demasiado com a vida em vez de a viver. Que já devia saber que metade das minhas preocupações se resolvem sozinhas.

Penso na minha relação. Há coisas nele que me irritam. Aposto que há coisas em mim que o irritam. Ainda não me habituei a dormir ao lado dele e já lá vão seis meses, será que alguma vez vou voltar a dormir bem. 

Penso no meu grupinho de amigas do secundário. Pergunto-me se ainda se lembrarão de mim. Pergunto-me se ainda continuam a organizar almoços e cafés mas acham que já não vale a pena convidar-me, ou se simplesmente cada uma seguiu a sua vidinha, sem almoços nem lanches. Espero que estejam todas bem. 

E penso em mim. Penso que preciso de organizar a cabeça. Começar a comer melhor, a mexer-me mais, tomar um Valdispert de vez em quando para me ajudar a descansar melhor. Ir ao oftamologista. Aprender a relaxar. Aprender a viver.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Here's to the next year.

2016 foi um ano complicado. Foi um ano de mudanças. Foi um ano de experiências novas. Teve os seus momentos bons e maus.

Chego hoje ao dia 30 de Dezembro sem ter um balanço concreto. Não estou de mal com a vida, mas também não estou super feliz. 

A 1 de Janeiro de 2016 eu tinha terminado o mestrado há dois meses e queria apostar numa aventura nova fora do país. Uns dias antes tinha tido um Natal infernal, com certas pessoas da minha família a deitarem abaixo esta ideia, com ideias pré-concebidas sobre o que eu deveria fazer da minha vida. 

Sentia-me horrivelmente. Inútil, por estar há demasiado tempo sem fazer nada. Desamparada, por não ter o apoio das pessoas que me são mais próximas. Ainda estava a viver em casa do meu irmão e os meus dias eram passados a dormir e a tentar garantir que quando ele chegasse a casa do trabalho eu já tinha jantado e me tinha fechado no quarto.

Tinha um prazo para esta aventura, e ele chegou ao fim. E no início de Fevereiro abandonei a ideia. Redireccionei as minhas pesquisas. E mandei currículos. E as respostas chegaram. Fiz duas entrevistas de emprego. Comecei os dois followups dessas entrevistas, mas a verdade é que só acabei efectivamente um deles.

Em Março comecei à procura de casa.
Assinei um contrato de estágio.

Em Abril comecei um estágio de 4 meses. Foi difícil, e havia dias em que me sentia completamente inútil. Percebi que tenho imensa dificuldade em pedir ajuda. E que também sou demasiado teimosa e acho que consigo fazer tudo sozinha, mesmo que já esteja a stressar e a entrar em parafuso.
 
Em Maio assinámos o contrato de arrendamento.
Em Junho mudei de casa e passei a viver com o meu namorado. Montei uma mesa de centro, duas mesas de cabeceira, uma cómoda, uma estante/aparador, uma mesa de refeições, quatro cadeiras de refeição e uma de escritório (o resto da mobília desmontável teve ajuda externa). IKEA for the win. 

Em Julho assinei o contrato de trabalho.

Em Agosto fui conhecer o Porto e voar num ATR.

Descobrimos o quão horrivelmente quente é a nossa casa no Verão, e o quão irritantes conseguem ser os vizinhos de baixo. 

Em Setembro juntei-me oficialmente à equipa. O meu primeiro dia com os meus colegas foi o dia em que voámos para Londres para uma série de reuniões de trabalho.

Mudámos de escritório.

Em Dezembro tive a festa de Natal do escritório que antecedeu o jantar de Natal. Participei no Secret Santa, bebi mulled wine e joguei beer pong.

E chegámos ao dia de hoje. 

Estou a morar com o meu namorado há seis meses, e a trabalhar com a minha equipa há três. Ainda não me ambientei. Ainda durmo mal. Ainda ando sempre sem energia. Tenho dores de cabeça frequentes (embora talvez parte disso sejam os meus olhos a implorar por uma ida ao oftamologista). Não consigo fazer uma alimentação equilibrada (mas tenho sempre bróculos, espinafres e ervilhas no congelador, e uso-os!) nem fazer exercício regularmente (às vezes jogo Just Dance).

Vontade de aspirar, limpar ou fazer o que quer que seja em casa? Zero.

Gosto do meu trabalho, mas sinto-me sempre inferior a toda a gente. Estou sempre a tentar fazer um esforço para mudar a minha maneira de ser (fake it until you become it!), mas há dias em que o cansaço leva a melhor de mim e não consigo. Não consigo ser produtiva, não consigo pedir ajuda, nada.

Para 2017, tenho que ir ao oftamologista. Espero conseguir começar a orientar-me entre o trabalho e a casa. E quero ir ver o concerto dos Depeche Mode. 

De resto, não vale a pena fazer uma lista com mais resoluções - toda a gente sabe o que é que lhes acontece.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Ho Ho not.

Acho que nunca referi muito aqui no blog, mas eu não gosto de todo do Natal. 

Quer dizer, gosto de fazer fazer os sonhos, fazer a massa, deitar colheradas no óleo quente e vê-las inchar e transformarem-se em esferas imperfeitas. 

Gosto de comer os ditos sonhos. E a torta de laranja que convenço a minha mãe a fazer. E o arroz doce. E Ferrero Rocher. 

E abrir prendas.

But that's it.

Em minha casa não existe o juntar a família porque maior parte da minha família mora longe e festeja o Natal com as respectivas famílias. Juntamo-nos apenas quatro na noite de 24, quatro pessoas sem jeito nenhum para festejos.

No dia 25 o meu avô junta-se a nós para almoçar. E depois de almoço uns vão para o café, outros dormem a sesta, e eu entrego-me à habitual melancolia.

Há já alguns anos que é assim.

O ano passado foi sem dúvida o pior, depois de ter comunicado que estava à procura de emprego dentro e fora de Portugal e ter tido o jantar de Natal do inferno.

Este ano as coisas estão mais calmas. A vida estabilizou ligeiramente, mas continuo sem vontade nenhuma de festejar.

Ao menos tenho uma prenda embrulhada cá em casa que o meu namorado me comprou e que não faço a mínima ideia o que será.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Gratification

Para além de ainda estar a tentar descobrir quem sou e o que me define, neste momento um dos meus focos tem sido melhorar a minha prestação no trabalho. 

Julgo que não mencionei aqui, mas há umas semanas fui chamada para uma reunião com um colega meu (que lidera a minha equipa) para discutir a minha performance. Na altura eu andava completamente perdida dentro da equipa, não conseguia ser produtiva, enfim, estava bastante aquém do que era esperado. 

Nessa reunião discutimos alguns métodos para ajudar a aumentar a minha produtividade, que eu passei a seguir.

E basicamente é isso. Tenho estado focada em aumentar a minha produtividade. 

O ponto negativo é que a minha vida ainda continua limitada ao casa-trabalho e trabalho-casa.

O ponto positivo? Grande parte do meu trabalho consiste em "facilitar a vida" a outros colegas (soa um bocado estranho, mas não me apetece entrar em pormenores). 

E sabe mesmo bem, quando acabo uma tarefa, comunico as mudanças aos colegas/equipas e recebo agradecimentos de volta. É bastante gratificante e faz-me sentir importante (só por um bocadinho, vá). 

sábado, 19 de novembro de 2016

Who am I

Este é só um devaneio meio parvo, mas nos últimos dias dou por mim a pensar no assunto pelo menos uma vez por dia. Por isso achei boa ideia partilhar por aqui. Pelo menos escrevo o que me vai na cabeça.

Estou a passar por uma mini-crise existencial. Nos últimos anos sempre tive alguma coisa com que me identificasse, algo que fazia fora da escola/faculdade/trabalho. Durante algum tempo foi a fotografia, que acabou quando entrei para a faculdade e deixei de ter o quintal dos meus pais para me entreter a fotografar flores e gatos.

Foi o WoW. E nos últimos tempos foi a culinária, onde me divertia a inventar receitas de queques e bolachas e cozinhar coisas diferentes para o jantar (e onde descobri o caril e o chili, experimentei lentilhas e soja granulada e fiz manteiga de amendoim caseira).

E depois acabei o mestrado. Estive alguns meses em casa enquanto procurava um emprego que me interessasse realmente. Depois comecei a trabalhar. E depois mudei de casa.

E pronto. Passei a andar num estado de cansaço permanente. Deixei de jogar WoW porque o computador que usava (um portátil antigo do meu namorado) deixou de o suportar, e não me apetece atravancar ainda mais a secretária que temos com outro computador (e sinceramente também não me apetece gastar dinheiro).

Deixei de cozinhar por prazer porque tenho que agradar a um esquisitinho e porque já não posso deixar a cozinha desarrumada para arrumar depois (tive que calhar com um homem obcecado pela limpeza), e normalmente a vontade de arrumar a cozinha quando faço um prato simples roça o menos infinito, quanto mais sujando um monte de loiça para fazer algo mais elaborado.

Regra geral, deixei de ter vida para além do trabalho e de arrumar a casa. Deixei de seguir as minhas séries porque deixei de ter paciência para as sacar. Deixei de ter vontade de passear aos fins de semana quando fico em lisboa, porque perdemos metade do dia de sábado a limpar a casa, e como ando sempre cansada, prefiro aproveitar o resto do tempo para ficar sossegadinha no sofá. Praticamente deixei de ler, embora ande a fazer um esforço para mudar isso. A única coisa que mantive neste tempo todo foram os joguinhos básicos de tablet e a leitura dos blogues no feedly.

Long story short, sinto-me sem vida, e sem energia para mudar o que quer que seja. E precisava de desabafar sobre isto. So, here it is.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pet peeves, public transport edition

Coisinhas que me irritam neste mundo maravilhoso dos transportes públicos de Lisboa:

- Estar sentada no metro, num dos lugares encostados à janela (naqueles grupos de 4 bancos ficamos sentados frente a frente com as outras pessoas). Levantar-me para sair na próxima estação. Nenhuma das 3 pessoas que ocupam os restantes bancos mexer a porra de um milímetro para que eu não tenha de fazer um mini-ballet a tentar sair dali. E sim, quando eu estou no lugar dessas pessoas, mudo de posição no assento para facilitar as saídas.

- Pessoas (maioritariamente mulheres, pronto) que guardam o passe no compartimento mais recôndito das carteiras que por sua vez ficam perdidas no fundo da mala, e que na altura de validar o passe para abrir a cancela colocam simplesmente a mala em cima do sensor e esperam que magicamente ele detecte o cartãozinho que está enterrado no meio de outros 2345423 cartões, lenços de papel e afins.

Melhor que isso, é essas mesmas pessoas, depois de fazerem um pequeno kamasutra com a mala em cima do sensor, resolvem tirar a carteira e fazer outra demonstração de kamasutra, e no fim, quando já existe um engarrafamento nas cancelas, é que se resolvem a tirar o passe da carteira e passá-lo no sensor.

- Quando é óbvio que vou sair na próxima paragem de autocarro (as in, agarrei nas minhas coisas, levantei-me do lugar e dirigi-me para a porta), e a pessoa atrás de mim resolve colar-se às minhas costas, mesmo que haja espaço suficiente para que isso não aconteça. Neeeeervos.

- Todos os dias apanhar um autocarro cheio, ter de ir em pé e fazer uma força enorme agarrada às barras para não dar um trambolhão em cada curva.

- Escadas rolantes do metro que não funcionam. Sou preguiçosa, porra!

- E, por fim, o "pedimos desculpa pelo incómodo causado" ouvido praticamente todos os dias no metro, e as carruagens a abarrotar devido aos múltiplos distúrbios nas linhas

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Migraine

Para não variar no registo deste blog (negatividade hooray!), hoje venho registar mais um acontecimento da minha vida.

Tive uma enxaqueca pela primeira vez.

Ok, pronto, eu sei que há pessoas com enxaquecas frequentes, e possivelmente bem piores que a minha, mas apeteceu-me escrever sobre isto.

Eu costumo ter dores de cabeça com alguma frequência, afinal de contas trabalho oito horas por dia em frente a um portátil, por vezes numa postura um bocado má (aka, toda torta).
Às vezes passam com um café, às vezes passam com um ben-u-ron, ou indo para a cama, or both. Às vezes são fraquitas e aguentam-se, outras vezes nem sequer consigo pensar direito.

Por isso não estranhei quando na segunda feira à hora de almoço me começou a doer a cabeça. Como era relativamente forte e eu precisava de me concentrar durante a tarde, bebi um café depois de almoço e tomei um ben-u-ron. Não passou de todo - embora tenha aliviado ligeiramente quando peguei no portátil e fui trabalhar para um canto menos iluminado do escritório. Consegui aguentar até à hora de sair, mas depois do jantar começou a piorar.
Ao serão abri o portátil para trabalhar mas a luminosidade incomodava-me, as letras brancas no fundo preto do terminal incomodavam-me, e sinceramente não sei como consegui sequer ler, compreender e mudar linhas de código.

Depois de fechar o portátil tentei ver televisão mas a luz e as cores incomodavam-me, teneiei deitar-me simplesmente no sofá com os olhos fechados mas os sons incomodavam-me. Sentia a cabeça a latejar horrivelmente e acabei por tomar mais ben-u-ron e meter-me na cama. Adormeci relativamente rápido - entre o comprimido e o facto de estar completamente às escuras, a dor aliviou.

Tive a sorte de hoje ser feriado. Dormi quase 11 horas, e quando acordei pensei que já estaria melhor - apesar de ainda sentir a cabeça meio dorida. Fiz a minha vidinha normal - pequeno almoço, ver televisão, ver as redes sociais, jogar nos meus joguinhos de tablet e adiantar o almoço.

Foi quando estávamos à espera do forno que comecei com outros sintomas. A dor de cabeça intensificou-se ligeiramente (não chegou ao ponto do dia anterior, mas incomodava), comecei a sentir-me enjoada e com vontade de vomitar (não cheguei a esse ponto). Olhar para a televisão, para o computador ou para o telemóvel deixava-me ainda pior.

Felizmente, a partir daí as coisas começaram a melhorar. Depois de almoço tomei um Nimed que o meu namorado me deu, tomei um duche e deitei-me no sofá a descansar um bocado. Saí para ir à farmácia e ao supermercado - e apesar de me ter custado e ter voltado a ficar nauseada, o ar fresco fez-me bem. Voltei a descansar no sofá, e ao fim de algum tempo comecei a voltar ao normal e pude acender luzes e ligar a televisão.

Ainda me sinto meio estranha e preciso de ir descansar (e rezar para que não me aconteçam mais destas até ao fim da semana), mas o pior já passou.

Só espero que estas não se repitam com grande frequência.

sábado, 22 de outubro de 2016

Herd IQ

Um post sobre algo que não a minha fobia social. Cheers!

Não sei se só acontece comigo, mas eu noto uma estupidificação geral nas pessoas quando vou ao supermercado em horas de mais movimento.

Eu juro que tento ser boa pessoa, mas o facto é que cada vez que tenho que ir ao supermercado nestas alturas, passo o tempo todo a suspirar e é um alívio quando finalmente passo a caixa.

O facto de eu morar numa zona com imensa gente idosa também não ajuda muito à coisa.

São as pessoas a ocupar os corredores. Quer dizer, eu sei que, logicamente, temos que ir aos corredores do supermercado buscar as coisas. Não acho é que isso implique ocupar a largura inteira do corredor enquanto se procuram as coisas (basta um corredor não muito largo e facilmente uma pessoa e o seu cesto o ocupam totalmente), e quando alguém quer passar, mexer o cesto dois milimetros apesar de isso impossibilitar a outra pessoa de passar na mesma.

A mesma coisa para as pessoas que páram no meio do caminho. Ou em frente aos frigorificos. 

Eu sei que um "Com licença" bem educado resolve estas situações rapidamente, é só que eu tento sempre estar atenta ao que me rodeia e afastar-me ou ao meu cesto de compras se vir que vou bloquear o caminho a alguém. E irrita-me quem não faz o contrário, pronto. Também tenho direito às minhas irritações.

Depois há a caixa. Aquele sítio mágico onde há sempre alguém que não leu com atenção as etiquetas dos preços e fica meio ano a discutir com a pessoa da caixa se a lata de salsichas que comprou tem desconto ou não. Normalmente implica consultar os folhetos informativos e chamar mais alguém. 

E a cereja no topo do bolo? As pessoas que, após pagarem, ficam exactamente no mesmo sítio (que por acaso é exactamente o sítio onde eu quero ir para ensacar as minhas compras) a confirmar o talão da caixa, enquanto o empregado da caixa vai passando as minhas coisas. E eu fico ali a olhar, porque a dita pessoa está a bloquear o caminho e só me resta esperar que confirme que os dois cêntimos de desconto foram efectivamente descontados e me deixem a porra do caminho livre para ensacar as minhas compras e despachar-me. You know, para não deixar a pessoas atrás de mim na fila na mesma situação.

sábado, 15 de outubro de 2016

Walking in my shoes

Eu queria escrever qualquer coisa mais positiva aqui no blogue e não mais um texto sobre a minha fobia social, confesso. Não é que ande infeliz ou desmotivada ultimamente, mas desde que comecei a trabalhar "à séria", tenho que ultrapassar diariamente todos os obstáculos que isto traz.
Vou tentar que este post mostre o conflito que se processa no meu cérebro em situações tão corriqueiras que se calhar outras pessoas nem pensariam duas vezes.

Talvez um dia mostre este post aos meus colegas.

A essência da minha fobia social (e baseio-me no que sinto e nas conversas que tive com uma psicóloga, não sei se é igual para toda a gente) é o medo de parecer mal.

Se calhar quem ler isto pensa "Olha que parva, então não temos todos um bocadinho de medo de parecer mal? Ninguém gosta propriamente de fazer figura de palhaço". Pois, certo. O problema é quando esse medo chega a extremos e começa a prejudicar a nossa vida.

Eu tenho medo de mandar e-mails. O simples acto de abrir uma janela de novo e-mail e escrever uma mensagem deixa-me nervosa. Quando andava a trabalhar na tese e tinha de marcar reuniões com o meu orientador, ficava longos minutos a olhar para o cursor no ecrã, a tentar arranjar a melhor maneira de colocar as palavras para não parecer estranha ou sem nexo. Quando é a minha vez de pagar a renda da casa, peço ao meu namorado para enviar o comprovativo para os senhorios, porque não quero ser eu a mandar o e-mail. Fico nervosa a pensar o que é que a/as pessoa/s do outro lado irão pensar ao ler o que escrevi. Fico nervosa a pensar no que é que irão responder.

Eu tenho medo de mandar mensagens no chat do Facebook, e por isso não faço ideia se as minhas amigas do secundário estão bem ou não. Às vezes penso nelas e penso que gostaria de saber delas, mas não há coragem para mandar uma mensagem. Penso "para quê? Vão achar super estranho. Vão pensar que lhes vou pedir alguma coisa. E no fim vai ser uma daquelas conversas à moda do Messenger do antigamente, olá/olá/tudo bem/tudo e contigo/também, e para isso também não vale a pena".

Eu tenho medo de pedir ajuda. Eu já tinha noção disso, mas tornou-se pior quando comecei a trabalhar. Cada vez que estou bloqueada ou tenho uma dúvida e não há pesquisa no google que me ajude, começa o seguinte diálogo (monólogo?) na minha cabeça:
"- Devia chamar o X para me vir dar uma ajuda"
"- Mas ele agora parece estar ocupado, e está com os phones postos"
"- Então manda-lhe uma mensagem pelo Slack"
"- Mas e se o chateio? E se ele não vê e eu fico aqui bloqueada o resto do dia? E se ele não me pode ajudar? E se ele acha que eu sou uma burrinha de todo o tamanho por estar sempre a chateá-lo com pedidos de ajuda?"
"- Se ele estiver ocupado vê a mensagem quando puder. E há outras coisas que podes fazer. E se ele não te puder ajudar, pode indicar-te alguém que possa. E ele até te pode achar burrinha mas ficares bloqueada sem fazer nada é bem pior e prejudica a equipa"
"- Mas não me apetece mandar mensagem, não tenho jeito para escrever e parece que uma pergunta simples fica estranha"
"- Pois, mas tem de ser."
"- Mas não me apetece..."
Eventualmente lá chamo/mando uma mensagem ao colega em questão. Só que enquanto este monólogo se processa, passam longos minutos. Minutos que eu poderia ter usado de forma útil.

Também tenho medo de pedir ajuda a empregados de lojas. O quê, perguntar à/ao empregada/o se existe um tamanho acima? Estou mesmo a ver, é só virarem costas e desatam-se logo a rir, "olha esta gorda, é tão gorda que precisa do tamanho acima"

Tenho medo de fazer/atender telefonemas.

Sinto-me desconfortável se tiver de me sentar numa cadeira sem uma mesa à frente. Sinto-me exposta e vulnerável e que toda a gente vai olhar para mim. No metro ou nos autocarros ponho sempre a mala ou o casaco no colo a fazer de escudo protector. Há umas semanas no escritório um colega resolveu fazermos todos um círculo de cadeiras e falarmos sobre coisas que poderiam ser melhoradas na empresa. Ao fim de alguns minutos já me estava a passar, sentia que toda a gente olhava para mim.
E quando me obrigaram, efectivamente, a falar (eu não tinha grandes opiniões, mas forçaram-me a pensar em qualquer coisa), então aí nem se fala.

Sinto-me desconfortável quando tenho de falar em reuniões, e todos os dias tenho uma mini-reunião com a minha equipa onde rapidamente discutimos o que foi feito e o que vai ser feito nesse dia. Quando chega a minha vez, gaguejo sempre, não encontro as palavras, e explico-me mal.

Não tenho propriamente amigos. Não é que não goste nem me preocupe com as pessoas. É toda a história dos e-mails e das mensagens do Facebook. Mesmo já conhecendo minimamente toda a gente na empresa, não me sinto à vontade com ninguém - na verdade, cada vez que estou a almoçar sozinha na copa e chega mais alguém, fico super ansiosa a desejar que chegue mais alguém para que eu não tenha que fazer conversa. Again, não é por não gostar dos meus colegas. Simplesmente demoro mais de o dobro do tempo (se calhar dez ou vinte vezes mais) a sentir-me à vontade perto de pessoas novas e a deixar de me sentir estúpida por cada palavra que digo.

E, regra geral, sinto-me mal comigo mesma, todos os dias.

Esta sexta feira tive mais uma reunião com a minha equipa, onde discutimos as coisas que correram bem e que correram mal durante a semana. Faço sempre o mesmo comentário todas as semanas, que me sinto lenta e a fazer poucos progressos e eles garantem-me que com algum tempo e experiência vou melhorar. E que devo pedir ajuda e não ficar bloqueada. E eu fico ali a sentir-me irritada comigo mesma, a querer explicar o porquê de eu ser assim, a sentir-me mal por ser como sou.

Aos poucos e poucos vou fazendo progressos, mas ainda assim, acho que vou ser sempre aquela pessoa awkward onde quer que vá.

Pode ser que um dia eu tenha coragem de mostrar este post às pessoas que me rodeiam. Pode ser que um dia alguém compreenda.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

I joke you not

Acho que já escrevi umas mil vezes aqui sobre o quão difícil é viver com fobia social. Sempre fui assim, desde pequenina.

Uma vez, não me lembro quantos anos tinha (talvez menos de 6?), o meu pai levou-me para um evento qualquer. Não era nada do outro mundo. Era uma coisa pequena, num espaço fechado e segudo, e havia imensas crianças mais ou menos da minha idade e comida nas mesas. Lembro-me que houve outra menina que esteve um bocado a falar comigo. Mas por algum motivo qualquer, fiquei sozinha - sem ninguém com quem falar/brincar.

Lembro-me perfeitamente do que senti na altura. Via imensos outros meninos que não conhecia e não tinha coragem de me chegar ao pé deles. Achava que não me iam ligar nenhuma. O meu pai estava a falar com outros adultos e não me podia dar atenção. Virei-me para a comida, mas o que quer que seja que tentei levar à boca não me agradou. Sentia-me extremamente sozinha e abandonada, numa situação aparentemente normal. E desatei a chorar.

Gostava de dizer que foi a única situação destas durante a minha infância, só que não. Acho que umas quantas vezes desatei a chorar em festas de anos de outras crianças - porque me sentia sozinha e pouco à vontade. Às tantas acho que a minha mãe deixou de me levar. Ou então deixaram de me convidar, whatever.

Fast Forward para alguns anos no futuro, já no 2º-3º ciclo. Apesar de lidar ligeiramente melhor com as pessoas - vantagem da terrinha, quando cheguei ao 5º ano já conhecia toda a gente -, continuei a ser aquilo que ainda sou hoje: extremamente calada e tímida, sem grandes capacidades de interacção e de responder adequadamente quando falavam comigo (a menos que fossem perguntas dos professores relacionadas com matéria. Aí até me safava).

No fundo, quem olhasse/olhe para mim via/vê uma mosquinha morta.

Posto isto, ao longo do ensino básico apanhei vários professores que lidavam comigo de um modo que, possivelmente, era o que achavam que me iria tornar mais espevitada, mas que na realidade tinha o efeito exactamente oposto. Lembro-me de 1 ou 2 docentes em particular. Falavam sempre comigo num tom de voz diferente, mais alto, quase agressivo, e faziam-me sentir péssima quando cometia algum erro. Lembro-me de uma vez uma professora resolver pregar-me uma partida e acusar-me de ter sujado não sei o quê (não era uma aula de EVT, mas estávamos a fazer um trabalho manual qualquer), só para me ver super atrapalhada a tentar defender-me.

Não vou dizer que sou como sou agora devido apenas a esses docentes, mas suponho que fizeram parte na moldagem da pessoa em que me tornei.

Aos vinte e quatro anos pago contas e renda, desconto para a segurança social, trato de uma casa. E tento aprender a relacionar-me com os outros à minha volta.



terça-feira, 13 de setembro de 2016

London calls back.

Estive em Londres durante cinco dias, em trabalho. Acho que já tinha escrito aqui que não tinha vontade nenhuma de ir, mas trabalho é trabalho e teve de ser. Eis a minha semana, em tópicos:

- Na segunda levantei o lombinho da cama às 4h45 da manhã (depois de duas ou três horas de sono intermitente), despachei-me, chamei um uber às 5h20 e pelas 5h45 estava no aeroporto. Entre os controlos todos, o voo em si e a viagem de metro para o centro da cidade, só chegámos ao escritório da empresa ao meio dia, onde pousámos as coisas e fomos almoçar. Comi uma sandes gigantesca de um sitio de comida tailandesa. Trabalhei e tive reuniões. Numa delas nenhum de nós apanhou metade do que foi dito porque estávamos todos a morrer de sono. Pormenores. 
Saímos do trabalho relativamente cedo para ir fazer o check in no hotel. Trocaram-nos os quartos todos, havia cartões que nao funcionavam e camas extra sem lençóis. Jantámos com mais malta da empresa numa hamburgueria que tinha as melhores batatas fritas de sempre. 
Eles seguiram para um pub. Eu fui para o hotel. Estava cansada, sentia-me sozinha, tinha saudades do meu namorado, enfim, sentia-me completamente miserável e ainda por cima nem tinha wi-fi a funcionar no quarto. Estive um bom bocado na choradeira a ter pena de mim própria, depois tomei um bom banho e meti-me na cama. Penso que ainda não eram onze da noite quando ferrei a dormir.

- Na terça chegámos ao escritório às 9 e pouco. Reuniões, trabalho. Almocei num street food market, um wrap enorme com legumes e halloumi. Tinha cebola a mais para o meu gosto. Ao fim do dia alguns dos meus colegas foram para um evento. Eu fui com outro colega dar uma volta por londres. Antes de ir para o hotel comprei sandes e fruta num supermercado, e comi no quarto de hotel. 

- Na quarta, same old, mas com almoço no Pret (batatas fritas de cheddar!!!). Fui dar mais uma volta por londres ao fim do dia (desta vez com mais gente). Jantei um hamburguer. Comprei m&m's na M&M's World. 

- Na quinta, same old. Almocei uma salada com um monte de vegetais e leguminosas diferentes - do street food market. Ao fim do dia, resolvemos ir cada um dar a volta que quisesse, para seu lado. Fui ver se o big ben estava no sítio, atravessei a ponte e fui até ao london eye. Achei que era boa ideia tentar ir a pé até à estação de Waterloo. Um bom bocado a andar e vários sitios creepy depois, dei meia volta e voltei a atravessar a ponte e apanhar o metro no mesmo sitio por onde tinha vindo. Comprei comida no Pret antes de apanhar o metro, e levei para o hotel. 
Alguma coisa não estava em grandes condições - ou deitei-me ainda demasiado cheia - e acordei de madrugada super maldisposta. Não fiz a digestão como deve ser e acabei por vomitar maior parte do que comi. Demorei imenso a acalmar o estômago e voltar a adormecer. 

- Na sexta custou-me imenso sair da cama, depois das voltas da madrugada. Comi chá e torradas ao pequeno almoço. Fizemos checkout do hotel. Passei o dia no escritório. Não saí para almoçar porque ainda sentia o estômago demasiado sensível. Bebi um monte de chá e comi algumas bolachas Maria (sim, levei um pacote comigo na mala). Comi gelado que foram entregar ao escritório (só um bocadinho). 
Fomos para o aeroporto. Fui comprar uma garrafa de água e deram-me de oferta o Daily Telegraph. Comprei também uma barrinha de Rocky Road (uma espécie de salame de chocolate, mas com marshmallows e frutos secos para alem dos pedaços de bolacha). Um bocadinho doce demais. Comi uma sandes que deram durante o voo. Cheguei a casa às onze da noite. E dormi que nem uma pedra. 

O meu fim de semana foi passado a lavar a roupa, descansar o máximo possível, e comer comida decente (e alguns docinhos, vá). Agora estou de volta ao escritório "normal", a tentar desintoxicar das sandes de londres e a voltar à dieta. Cheira-me que não devo tardar muito a voltar a Londres. Aliás, nem sequer devolvi o meu Oyster.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

London Calls

Pouco depois de começar o estágio aqui na empresa, percebi que viagens a Londres são uma constante (pronto, é uma empresa com escritórios lá e cá). 
Na altura nem pensei muito no assunto (afinal nem sabia se ficava cá após o estágio). Mas entretanto fui contratada a sério. E apesar de ainda não estar integrada na equipa (ainda estou a acabar coisas do estágio), incluíram-me na próxima ida a Londres.

Quando me apercebi disso fiquei um bocadinho em pânico. Não sou propriamente uma pessoa desenrascada (só quando calha), ainda não me sinto à vontade com as pessoas (sim, ainda.), ainda não estou integrada na equipa e portanto não vou lá propriamente fazer grande coisa, não conheço 99% da equipa que está em Londres e, acima de tudo, fiquei com um medo horrivel de me sentir sozinha durante o tempo que lá estiver - das poucas vezes que viajei em grupo, sentia-me sempre meio posta de parte, do género ter de estar sempre alerta e atenta para o caso de o resto do grupo ir para algum lado e esquecerem-se de mim.

Eventualmente as reservas de avião e hotel chegaram-me às mãos e tive que encarar a realidade. Estou a tentar ser mais positiva em relação a isto. Vou a Londres e talvez ainda consiga dar uns passeiozitos. Vou andar de avião, que adoro, embora não tenha o meu namorado para apertar a mão quando o avião faz movimentos estranhos. Vou conhecer o escritório de Londres. Talvez consiga comer batatas fritas com sabor a cheddar do Pret-a-Manger. Vou ter um quarto de hotel só para mim (vantagem de ser a única rapariga no grupo) e vou poder dormir à larga com os braços esticados.

Pode ser que tudo corra bem. Vamos a ver.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Stick it where the sun doesn't shine.

Ontem, um dia depois de ter escrito o post anterior, saí do trabalho e dirigi-me à paragem do autocarro. Sabem, aquelas paragens tipo "casinha", para proteger a malta da chuva e que no verão até conseguem fazer um bocado efeito de estufa. Adiante, sentei-me no banquinho dentro da paragem, felizmente sem a parte do efeito de estufa. Passado algum tempo chegaram duas senhoras e sentaram-se ao meu lado. 

Guess what, uma delas vinha a acabar o cigarro. Sentou-se mesmo ao meu lado. Numa paragem de autocarro resguardada. Nem sequer pediu desculpa quando me deixou cair cinza para o braço (está bem que foi só um bocadinho, mas ela viu que caiu, e viu-me sacudir). Ficou ali a acabar o cigarro como se nada fosse. 

Confesso que estive vai nao vai para simplesmente levantar-me e sair dali, e era o que teria feito, mas sou lenta a tomar decisões e quando dei por isso ela ja tinha acabado o cigarro. 

Fiquei passada though. Estas faltas de respeito pelos outros irritam-me.